O Irmão Esportista XX - Descobertas
Como terminei no conto anterior, estranhei muito a atitude de meu pai, ele sempre foi super carinhoso comigo, e agora me ignorou daquele jeito, mas como disse, eu estava muito cansado para pensar nisso e acabei indo me deitar. Na cama ainda rezei e pedi a Deus proteção, que iluminasse meus paços, agradeci por ser tão amado e ter uma família tão especial.
Acordei umas 11:20 da manhã, estava dormindo somente eu e o mano, o resto já tinha levantado. Depois de ir ao banheiro e cuidar de minha higiene pessoal, fui ate a cozinha para comer alguma coisa, onde encontrei o Dé.
- Bom dia. Eu disse.
- Bom dia Fernando. Disse ele frio.
- O que aconteceu? Falei baixo.
- Não sei mas seu pai esta estranho, ele não falou comigo.
- Aix, espera. Me levantei e fui ate a área onde meu pai estava sentado. Pude reparar que o carro do tio César não estava mais, já deviam ter ido.
- Bom dia pai. Fui ate meu pai para beijá-lo e ele virou o rosto.
- O que foi? Aconteceu algo pai? Perguntei preocupado.
- ENTRA. Foi a única coisa que ele me disse entrando na cozinha sem olhar pra mim. Eu entrei né.
- Pai o que esta acontecendo? Insisti.
- Vai no quarto e chama seu irmão. Rápido! Falou ele brabo.
Fui ate o quarto e acordei o Rodrigo.
- Mano, acorda cara.
- O que foi Fernando, vai te fude. Disse ele.
- O pai cara, esta te chamando, ele ta brabo não fala com ninguém, to com medo.
- O que tu apronto agora seu pirralho? Disse ele levantando e colocando o shorts.
- Não... sei... já falei segurando meu choro.
E assim fomos ate a cozinha onde o Dé estava sentando na mesa parado. Meu pai andando na cozinha. Minha mãe também estava preocupada.
- Fala home de Deus o que você tem? Ele nem dava bola. Entrarmos na cozinha.
- Bom agora que está todo mundo aqui.
- O que esta acontecendo pai. Pergunto o Rodrigo com a cara toda amassada.
- Não tem nada com você Rodrigo, é com o Fernando. Nossa eu gelei.
- O que tem eu pai?
- Eu que te pergunto Fernando! Não tens nada pra contar a sua família? Disse ele me olhando muito mais muito serio.
- N... ao,... pai.... eu engolindo a seco.
- Tem certeza?
- Tenho...
- E você André, não tem nada pra contar? Disse meu pai olhando o André que estava com uma cara de serio também... mas cara quando ele disse isso, eu juro que comecei a chora, olhei pro mano e ele estava me olhando preocupado.
- Não senhor Rômulo.
- Vocês pensam que eu sou idiota? Ahm? Ele falava e olhava pra mim e pro Dé.
- Pai.... eu disse.
- Tudo bem eu refresco a memória de vocês... hoje eu acordei cedo e fui pescar, e sabe o que eu vi na beira mar? Ahm?
Cara eu queria morrer, meu pai viu a gente na beira mar, meu Deus, cara eu desabei no choro, meu irmão ficou muito preocupado, pois eu poderia me ferrar, bom o André ficou do jeito que estava, olhando serio pro meu pai.
- Há quanto tempo vocês estão juntos? Disse ele, olhando pra gente.
- P...aiiii...
- Responde Fernando.
- Quatro meses. Disse o André.
- Quatro meses? Fernando olha pra mim. Disse meu pai, Eu chorava, cara eu já estava soluçando.
- O que esta acontecendo? Disse minha mãe.
- Simples Ana, seu casula namora o André, ele é gay.
- Fernando... minha mãe começou a chorar também, ai eu desabei de vez, ela pôs a mão na boca e ficou espantada.
- Pai se acalma, disse o mano.
- Seu cretino, o que você esta fazendo com o meu menino? Vou chamar a policia. Minha mãe partiu pra cima do André que tentou se esquivar.
- Para mãe. Eu berrei, pela primeira vez eu estava falando. Ela parou e me olhou.
- Para mãe por favor, o André não tem culpa, eu que quis ficar com ele, nada disso estaria acontecendo se eu não quisesse, para m...ã... e...
- Vem comigo mãe. Disse o Rodrigo indo ate minha mãe e fazendo ela sentar numa cadeira.
Silêncio.
- André? Chamou meu pai.
- Fale seu Rômulo. Respondeu o Dé educadamente.
- O que tu que exatamente com o meu filho? Nossa eu congelei mais do que já estava, tinha medo do pai querer bater no André, ele podia me bater, mas não no meu Dé.
- Sinceramente seu Rômulo?
- Sim.
- Eu amo seu filho, e o respeito muito, quero construir uma vida ao lado dele, o seu menino sempre foi e será o meu menino também. Cara eu e o mano nos olhamos, olhamos pra cara do André, nossa que coragem, enfrentar meu pai assim. Putz.
- E Você Fernando? Perguntou meu pai.
- Pai, desculpa, mas eu amo o Dé pai.... não faz nada com a gente por favor.
- Chega Fernando.
- Ai meu bebe, ai Deus... minha mãe. E a Liana meu filho? Vocês namoravam, ela te adora meu filho. Disse minha mãe.
- Mãe a liana é minha amiga, nunca afirmei nada que estava com ela, Desculpa mãe. Eu não sabia de onde estava tirando aquela força pra responder as perguntas e enfrentar aquela situação, acho que ver o Dé manter a postura e falar cara a cara com meu pai me ajudou a levantar minha cabeça também.
- Meu Deus... cara minha mãe tava passando mal.
- Mãe vem comigo. O Rodrigo levou a mãe pro quarto.
- Fernando. Disse meu pai, ele fala sempre com imponência, mas estava chorando também, se segurando, mas estava, cara isso me cortava o coração.
- (silêncio) somente fiquei olhando pra ele.
- Nando, tudo o que eu sonhei na minha vida era formar uma família, vencer na vida e ter meus filhos, pra depois ver eles se casarem e encherem essa casa de crianças correndo e me chamando de vô, nunca me passou pela cabeça isso, ver meu filho se envolvendo com outro homem, sempre foi contra meus conceitos, a gente sempre acha que isso só acontece na casa do vizinho e nunca na nossa, e agora estamos aqui... (ele limpava as lagrimas que escorriam por seu rosto) hoje Fernando não foi fácil pra mim, ver o meu menino nos braços de um homem (ele olhou pro Dé) meu menino Nando... o pai falhou em alguma coisa pra você fazer isso comigo?
- Pai... o senhor sempre foi o melhor pai do mundo... ta doendo ver o senhor chorar assim, mas não posso fazer nada, eu amo o André pai, eu só sinto prazer com outro homem pai... me desculpa... nunca quis decepcioná-lo, tenho orgulho de ter o senhor como meu pa..i... (o mano voltou do quarto e me abraçou)
- Você já sabia Rodrigo?
- Já pai.
- E vocês esconderam de mim? Porque?
- Medo pai, medo do senhor me tranca em casa e não me deixar sair, medo do senhor me bater, medo pai...
- Fernando. O pai te ama meu filho, porque iria te bater? Nossa eu desabei mais ainda.
- Eu também te amo pai.
- Vem aqui, da um abraço no seu pai. Eu olhei pra ele vi ele abrindo os braços e eu corri, cara foi o melhor abraço que eu já recebi na minha vida, nunca me senti tão amado e protegido como nesse abraço do meu pai. Sabe você sempre pensa que o pior vai acontecer, eu imaginava meu pai me surrando, me jogando pra fora de casa e dizendo que eu não era filho dele, mas isso eu nunca esperava...
- Desculpa pai.
- Não peça desculpas meu menino, porque você não esta fazendo nada de errado, o que me interessa agora é te ver feliz, o pai só quer te ver feliz meu filho, só isso...
- Paiiiiiiieeeee... Nos abraçamos mais forte ainda.
- André. Disse meu pai, nos três o olhamos.
- Sim seu Rômulo. Ele também estava chorando.
- Cuida bem do meu menino. Cara eu quase cai nessa hora, sei que estava sendo difícil ele falar isso, mas cara quem não queria um pai assim? Meu pai fez um sinal e chamou o Dé ali com a gente.
- Seu Rômulo eu amo seu filho e cuidarei dele da melhor forma possível.
Nos três nos abraçamos, meu pai pegou em minha cabeça, me fez olhar pra ele e me beijou a testa.
- Você será sempre o menino do pai. Eu só sorri e abracei ele.
Ficamos ali nos abraçando, o mano também foi ate nós (metido) hahahhahah... foi muito bom, tudo, cada palavra que ele me disse, cada olhar dele, do mano, do André, puts muito bom, só tinha um problema, minha mãe. O mano disse que deu um calmante pra ela dormir, tudo bem, mas ainda tinha que encará-la e eu sabia que ela não levaria tudo na boa como meu pai.
Depois disso meu pai foi tomar um banho, eu fui pro quarto deitar e o mano e o André foram juntos, eu não queria conversar com ninguém, nada, só queria ficar no meu canto, pensar como seria a minha vida de hoje em diante.
Acabei pegando no sono e acordando umas 18h, quando acordei estava sozinho no quarto, levantei e fui para a cozinha, minha mãe estava fazendo a janta, meu pai estava molhando a grama e o mano e o Dé eu não avistei. Quando cheguei na cozinha e sentei, minha mãe larga já de cara:
- Tudo o que eu ouvi é verdade Fernando? Puts...
- Que eu sou gay e que namoro o André? É sim mãe... eu tremia que nem vara verde...
- Não me fale o nome dele, já botei aquele Demo... pra correr... disse minha mãe enxugando as lagrimas.
- O que mãe? Você mandou o André embora? Meu sangue tava subindo pra cabeça cara, minha respiração foi aumentando de freqüência e sentia meu coração disparar.
- Sim Fernando, mandei sim, seu irmão foi atrás dele, mas eu quero você longe dele, não esta vendo Fernando que ele ta fazendo sua cabeça, você não é assim...
- CALA BOCA MÃE... cala boca caralho... eu amo o André mãe, dói em você aceitar que eu nasci gay, eu gosto de homem, gosto de sentir um homem sobre mim mãe, gosto... e o meu homem é o André, não me importa o que você acha ou deixa de achar, ele é o meu homem... (nisso meu pai ouviu meu grito e veio correndo)
- Os dois querem fazer o favor de parar com isso. Disse meu pai me segurando.
- Você não veio de mim assim Fernando, vai querer dizer que um homem que trai a mulher já nasceu assim?
- Chega Ana.
- Eu não estou fazendo nada Rômulo, eu estou apenas abrindo os olhos do meu filho, que esta sendo manipulado por aquele demonio, meu menino não é assim... nosso menino Rômulo.
- Cala boca mãe... E eu sou gay sim, se é isso que dói em você... eu sou viado simmmm... eu chorava muito, minha mãe também, cara era uma situação horrivel, eu lembro que suava muito, meu coração estava na boca e meu corpo queimava de ódio de medo de sei lá cara...
- Para de mandar eu cala a boca Fernando, você é o único errado aqui, você vai se afastar dele eu não vou deixar mais você chegar perto daquele rapaz, tu vai fica trancado em casa ate parar com isso...
- Ana chega! Disse meu pai.
- Eu te odeio...
Disse pra minha mãe e sai correndo... fui pro mar cara, meu pai foi atrás de mim, mas voltou quando percebeu que não iria me alcançar... eu não pensava em nada, apenas chorava, chorava muito, fui pra beira mar e fiquei andando, pensando em tudo cara e andando, como viveria, como amaria o André com a minha mãe fazendo isso comigo? Como cara... minha mãe falando aquelas coisas pra mim, minha memória parecia estar contra mim, por mais que eu tentasse esquecer, eu não conseguia tirar da minha cabeça cada frase dita pela minha mãe, cada gesto que ela fazia, tudo, eu pensava no André no que ela poderia ter dito pra ele, eu me culpava por fazer ela sofrer assim, porque eu não nasci hétero pra não ter que passar por essas coisas? Porque eu tinha que fazer as pessoas sofrer assim? Eu queria morrer cara...
Andei muito, lembro que passei da plataforma de pesca que fica a uns 3km da minha casa e continuei andando, no fim acabei adormecendo na arreia da praia depois de ter andado muito, eu nem sabia mais onde estava, andei ate minhas pernas cansarem... quando isso aconteceu sentei na areia, deitei e adormeci com a imagem da minha mãe em minha mente...
Acordei com alguém me chamando, me juntando e me colocando dentro de um carro, o sol estava alto, mal consegui abrir meus olhos, quando me colocaram no carro eu adormeci novamente... voltei a acordar num quarto branco, com alguns aparelhos ligados a mim, olhei para os lados e avistei uma janela, era noite, não reconheci o lugar de imediato, mas confirmei minha suspeita quando uma enfermeira veio trocar meu soro...
- Onde eu to? Perguntei
- Num hospital. Respondeu a enfermeira.
- Porque eu to aqui?
- Você foi achado na praia. Tentei sentar.
- Aiiiiii... meu corpo tava todo dolorido e vermelho. Isso que da ser branco que nem vela.
- Pode ficar quietinho ai, você não esta em condições de levantar.
Me deitei, esperei ela terminar de trocar meu soro e quando ela saiu do quarto fiquei ali pensando no que tinha acontecido, cara era muito foda, tudo voltava na minha mente, o André cara, o que aconteceu com ele? Tinha que falar com ele. Ate que o mano entrou no quarto.
- Manuuuuu... e eu já voltei a chorar mais ainda.
- Porra Fernando que mata a gente do coração seu merda?
- O Dé manu? Cadê o Dé cara? Ele se aproximou e me deu um beijo na testa.
- Não sei. Eu tentei falar come ele, mas no apartamento ninguém atende.
- Silencio.
- Nando? Ta tudo bem carinha, eu não vou deixar que nada aconteça com você, você é meu irmãozinho.
- Ai manu dói cara, tudo fica martelando na cabeça, porque eu tenho que ser assim mano? Porque cara? A mãe manu.
- Hei, calma cara, as coisas não são assim e nem vão se resolver assim.
- Porque a mãe cara? Poxa minha mãe manu.
- Fernando olha pra mim, e o pai em? onde fica ele nisso tudo? Você já esqueceu as coisas que ele te disse? Em?
- Não, mas por que a mãe me disse aquelas coisas cara?
- Você sempre soube que o pai era mais moderno, sempre viveu na cidade, tem um curso superior, ele é uma pessoa de mente mais aberta, já a mãe não, foi criada no interior, religiosa, você sabe Fernando, mas poxa cara de valor a quem te quer bem, o pai ta ali fora sofrendo querendo te ver, como eu também estava.
- Me abraça manu. Cara eu tava muito mal... carente...
- A mãe falou aquelas coisas na hora da raiva Fernando, é difícil pra ela aceitar isso, poxa você que faz psicologia devia saber isso mais do que eu...
- Faço sim mais também so gente... já falei brabo, sempre cara, você só por estar fazendo psicologia tem que ser sempre alegre, amoroso, carismático, entender todo mundo, não pode fica brabo não pode nada... a vai a merda não é pq sou psicólogo que deixo de ser humano.
- Ta desculpa... mas o que eu quero dizer é que...
- Tudo bem mano...
Silêncio...
- Fernando?
- Oi?
- Posso pedir pro pai entrar?
- Pode...
- Vou lá, fica bem pirralho, e não faz mais isso se não tu apanha... ahhahhahaah esse é o Rodrigo que eu conheço.
- Ta bom... primeiro sorriso que eu abri depois de tudo o que aconteceu.
Quando o pai entrou no quarto, eu fiquei completamente sem graça, sei lá tenho que me acostumar com a situação de meu pai saber da minha vida intima.
- Posso entrar? Disse ele na porta, ele também estava constrangido.
- Pode pai.
- Esta tudo bem filho?
- Ta sim pai...
- Filho?
- Fala pai?
- Não faz isso com seu pai, não é fácil pra um velho passar por isso.
- Desculpa... eu... e comecei a chorar...
- Fernando, da um abraço no pai, o pai te ama meu filho, não importa a sua orientação sexual ou qualquer coisa, o pai te ama e vai estar sempre do seu lado. Putssss eu desabei né...
E fiquei ali no melhor dos abraços e dos aconchegos, o abraço do meu pai... deitei no colo dele e fiquei ali ate me sentir melhor...
- Pai?
- Fala filho.
- Como ta o André, quero ver ele pai... por favor...
- Fernando nós estamos tentando falar com ele, mas ninguém atende na casa dele...
- Liga pro celular pai.
- Qual o número? Ai passei pra ele o número que ele gravou na memória do celular
- Depois eu ligo meu filho, agora diz pro pai, porque você fez isso?
- Porque eu tava com medo pai, medo de vocês, medo de perder o Dé, medo pai...
- Fernando e a conversa que tivemos ontem?
- Descul... voltei a chorar.
- Tudo bem meu filho, conversamos depois, da uma abraço no pai...
- Desculpa pai, eu te amo tanto, tenho medo de você não me querer mais como filho...
- Fernando, você sempre vai ser o meu filho. Puts cara, é foda, eu tava muito mal, mesmo cara... só quem já passou por isso sabe do que eu falo.
- E a mãe?
- A sua mãe esta um pouco melhor, depois que você saiu correndo, nós discutimos muito e no fim acabamos sentando e conversando, pra ela é difícil isso, ela foi criada no meio onde a aparência e a moralidade era bem vista, vida rural mesmo, eu não, eu sempre tive acesso a toda e qualquer informação, por isso entendo a sua posição meu filho.
- O Rodrigo já me falou, mas é minha mãe pai, porque logo ela? E a choradeira continua.
- Fernando, olha pro pai, eu vou te contar uma coisa que vai ficar só entre nos dois, nunca contei nada disso a ninguém.
- Pode confiar pai.
- Quando eu tinha a sua idade, um pouco mais novo uns 18 anos acho eu, na minha rua tinha um carinha da minha idade também, um dia estávamos em casa a tarde na minha casa vendo uma revista de contos eróticos que na época era novidade para nós, enquanto líamos estávamos muito excitados e com os hormônios a flor da pele pela idade, nós acabamos tendo uma intimidade.
- Que tipo de intimidade pai? Eu hiper surpreso né.
- Nós transamos. Por isso Fernando que eu sei o que você sente, mais ou menos.
- Você é gay pai? Eu queria me enfiar no chão quando percebi o que perguntei.
- Não, deixe eu terminar primeiro. Ele ficou assustado com a minha pergunta, nunca fui tão direto. Hahahahahhaha
- Nós transamos, mas depois ficamos sem nos falar por uns 2 anos, na época era algo completamente horrendo, e o que aconteceu entre nós foi apenas curiosidade de adolescente, rolou como vocês dizem, e eu percebi que não era o meu ramo.
- Hahahahhahhahhahah... desculpa pai mas tenho que rir. Eu me afinava, tentando me controlar mais eu fui obrigado.
- HAHAHAHAHA... meu pai também soltou umas gargalhadas.
- Pai?
- Fala meu garoto.
- Obrigado por ser esse pai que o senhor é pra mim.
- Não faço mais que a obrigação meu filho. Nós abraçamos.
- Pai?
- Oi.
- O senhor deu ou comeu?
- Fernando!
- Há pai fiquei curioso. Ahahahahahah o mais cara de pau.
- Eu vou pra casa tomar um banho, trocar de roupa e pegar uma roupa pra você. Falou ele se levantando e trocando de assunto.
- Liga pro Dé pai.
- Oi ligo sim meu filho, agora descansa você tem que repousar.
- Ok.
Me deitei e fiquei ali pensando em nossa conversa, sabe não era tão fácil assim pra mim, tudo que minha mãe me disse ficava martelando em minha memória, era estranho, ao mesmo tempo em que eu entendia a situação dela, não me sentia bem em saber se ela ficou daquele jeito por minha causa. Tudo era muito difícil... assim fiquei ate dormir.
Acordei com a enfermeira olhando meu soro.
- Boa noite. Disse ela sorridente.
- Oi... ahm... que horas são?
- Quase 3h da madrugada.
- Uhm.
- Silencio....
- Meu pai esta ai fora?
- Ele foi ao banheiro, esperou eu entrar para sair, você tem que agradecer pelo pai que tem, é raro um pai ficar no hospital pelo filho, sempre quem fica é a mãe.
Sorri.
- Pela manha eu volto para trocar o soro.
- Obrigado.
- Quer se sentar?
- Quero sim.
- Levanta que eu levanto o encosto da cama.
- Ok.
- Obrigado de novo.
Meu pai abre a porta.
- Tais acordado filho?
- Aham.
- E ai se sentindo bem?
- To bem sim pai, quero ir pra casa, não agüento mais soro.
- Tem que se cuidar.
- Pai.
- Oi.
- O André esta ai? (parece que eu já sentia a presença dele... hehehehe)
- Ele esta lá fora. Não podemos ficar em 2 no quarto.
- Posso falar com ele?
- Eu vou descer pra tomar um café e peço pra ele subir.
- Obrigado pai.
Eu estava com medo de ver o André, o que ele iria me dizer, como ele estava? O que minha mãe tinha dito a ele? Estava ansioso. Ate a porta se abrir.
- Posso entrar?
- Pode.
- E ai? Esta tudo bem? Ele foi entrando e fechando a porta.
- É estou louco pra ir pra casa.
- Hospital não é um lugar agradável.
- É verdade.
Silêncio... ele foi chegando perto e sentando no pé da cama. Quando ele resolve quebrar o gelo.
- Porque você fez isso?
- A mãe cara, tava com tanto medo... e assim contei tudo o que aconteceu, ele sentado apenas me ouvindo, sem me interromper, apenas ouvindo.
- Fernando? Você acha certo o que você fez?
- Não.
- E porque fez então? Falou ele serio.
- Você não veio aqui pra me dar bronca veio? Por favor Dé tudo o que eu menos preciso é de alguém brigando comigo, principalmente meu namorado.
- Nando ninguém esta brigando com você, nos só vamos conversar.
- Pode falar.
- Seu irmão já tinha me contado tudo que você me falou, mas eu quis ouvir a sua versão. Fernando, não é fugindo de seus problemas que eles irão se resolver, essa não será, nem a primeira, nem a ultima vez que você vai se decepcionar na sua vida cara.
- Mas é qu...
- Posso terminar? Agora me escuta, depois você pode falar. Nossa... ate me assustei.
- Ok.
- Como eu dizia, você ainda vai quebrar muito a cara, e daí? Você vai fugir e deixar as pessoas que te ama preocupadas com você? Não acha que isso é egocentrismo de mais? Você não pensa nas pessoas ao seu redor? Ta na hora de você crescer um pouco Fernando, você tem 21 anos, já é um homem perante a lei cara. Quando você cair, e isso vai acontecer varias vezes porque é natural da vida, levante sacode a poeira e segue em frente, só assim você vai crescer, errando e sabendo passar por cima do erro tirando a sua lição. Você me entende nando?
- Entendo... desculpa.
- Não tens que pedir desculpa, agora é se recuperar e bola pra frente garoto, não é porque você vai ser mais homem que você vai deixar de ser o meu neném.
- Hehehhehe... brigado, te amo.
- Eu também te amo.
- Me abraça. Nos abraçamos.
- Nando, eu tenho que ir.
- Porque?
- Amanhã eu trabalho...
- É verdade.
- Fica com Deus, depois nos falamos.
- Beijos, boa noite.
- Fernando?
- Oi.
- Eu te amo seu pirralho.
- Eu também te amo meu gato, mas pirralho não né, já basta o Rodrigo.
- Hahahhahahahha....
Nos beijamos.
Quando ele saiu, fiquei pensando em tudo que ele disse, no meu pai, no manu... porque muitas vezes precisamos que alguém que gostamos muito fale com a gente de forma grossa, ou que briguemos para nos dar conta de algumas coisas? É... como disse o Dé, é a vida... ate a próxima.